sábado, 7 de fevereiro de 2009

Maysa, Piaff e eu

Alice Rossini

O que as vidas de Maysa Matarazzo e Edith Piaff tem em comum, e onde as duas histórias que tanto me fascinam e emocionam se identificam?

Artistas talentosíssimas, as duas tiveram, cada uma ao seu modo, motivos tanto para serem equilibradas quanto para possuírem aquelas personalidades irascíveis. Amigos, fiéis e infiéis, dificuldades, decepções, alegrias e tristezas. Quem não as tem? Não pretendo tecer considerações a respeito da biografia das duas, escrevo o pouco que sei e senti, através de quem a fez. A opção pela arte as absolve de qualquer juízo delas que se pretenda fazer.

Piaff teve uma infância conturbada. Órfã de mãe e abandonada pelo pai convocado para a guerra, foi entregue à avó que a criou num prostíbulo. O pouco de amor que teve na infância foi suprido por uma prostituta que afeiçoou-se à futura Cotovia, mas de quem, mais tarde, foi cruelmente afastada. Edith, premida pelo ambiente em que vivia, prostituiu-se. O pai, artista de circo, na crise do pós-guerra viveu, por um período, da beleza da sua voz. Após sua morte, começa a carreira cantando nos cabarés de Paris. Teve várias paixões, mas era inconstante e sequelada pelos sofrimentos da infância. Vicia-se em morfina e era alcoolatra. Estes dois vícios minam sua já precária saúde.

Maysa tinha uma família estruturada, casou-se e descasou-se por amor. Nunca perdeu o respeito e o apoio do marido, seu melhor amigo, com o qual teve um filho que, por mais que as circunstâncias lhes afastassem, mantinham vínculos profundos. Vítima do álcool e apaixonada pela música, teve dificuldades em manter o equilíbrio emocional. Viveu conflitos existenciais intensos, teve muitas paixões, mas um único amor.

Maysa e Piaff, fizeram sucesso no mundo inteiro, quanto mais sofriam mais cantavam e encantavam. Os mesmos que as machucavam, curvavam-se diante de seus talentos.

Poderíamos usar como argumento que ser artista, na época em que viveram, as obrigava a carregar o ônus de enfrentar uma série de preconceitos e, com eles, as próprias culpas por serem diferentes. O estereótipo ao qual se obrigavam a corresponder as levava ao vício, a serem infelizes e viverem à margem dos padrões considerados "normais". O preço que pagaram foi alto demais, corroeu suas estruturas emocionais e físicas. Desistir? Nunca! Sucumbir às pressões apenas apressaria sua destruição.

Mas, e dai? As vidas destas mulheres já fazem parte do passado, e tanto podem inspirar admiração quanto piedade. A beleza de sua arte, o mundo reconhecerá até o final dos tempos. Suas vozes as eternizaram, a música as redimiu.

E eu? Onde, humildemente, insiro-me neste contexto feito de arte, tragédia e sofrimento? Que aspectos das vidas dessas mulheres me fascinam e me mobilizam tanto? A resposta poderia, facilmente, ser a força e a coragem de se assumirem como eram. Ninguém ousava sufocá-las!

Será a resposta tão simples e óbvia assim? Não seriam as tragédias, os tumultos pessoais, as inseguranças, as carências, os sentimentos de inadequação, as insatisfações que tanto me impressionam e me fascinam? Estes sentimentos, afinal, compõem o Mito, e o mito absorve, impressiona e pressiona.

Uma certeza, eu tenho. A trilha musical que acompanha suas vidas, lhe confere uma dramaticidade que vão ao encontro de uma parte de mim que é vazia e órfã de emoções, onde existe um vácuo de definições, convicções, força e beleza, que parecem tornar minha vida sem sentido e às vezes, experimentando a incômoda sensação que o meu mundo cairá a qualquer momento.

Invejo-as! Apesar das vidas difíceis e infelizes que levaram, invejo-as! As duas viveram pouco, se usarmos a métrica convencional para medir o tempo. Mas foram tão intensas! Tanto no cantar, quanto no chorar, quanto no sorrir, quanto no amar, que a sensação que tenho, é que pairam acima das concepções normais de existir e ser. Encontraram o segredo de transcender a normalidade medíocre.

Quanto a mim, instalada no conforto e no desconforto das minhas escolhas, poderia sair por aí, gritando insana, mas lúcida: "Non, je ne renegrette rien"!!!

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sábado, 31 de janeiro de 2009

Marketing ou vaidade?

Anda circulando na internet uma mensagem com duas fotos da ministra Dilma, antes e depois da cirurgia plástica, e o seguinte texto:

O QUE A SIGLA PAC REALMENTE SIGNIFICA?
Peeling Aplicado na Coroa
Programa de Auto-limpeza da Cara
Privilegiar Aparência da Candidata
Programa de Aceleração da Cirurgia
Plástica de Adequação da "Companheira"
Programa de Alavancagem da Candidata
Perfil Aceitável da "Companheira"
Pregas Arregaçadas e Costuradas
Pitanguy Adiante Corrige

Que gente malvada! Será que a cirurgia foi só uma estratégia de marketing? E a vaidade feminina, não conta?

Pode ser. Mas, não posso deixar de lembrar que vaidade não fazia parte dos hábitos da maioria das militantes de esquerda, durante a ditadura. Especialmente as que tinham um nível tão alto de envolvimento como o da agora ministra.

Na verdade, assim que se entrava no movimento estudantil – o jardim de infância da militância -, qualquer demonstração de vaidade era prontamente combatida como “desvio ideológico”. Lembro como se fosse hoje o primeiro contato, em 1969, com as "lideranças” do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. A caloura de minissaia, salto alto e cabelo bem tratado sendo recebida com olhares de espanto e reprovação pelas futuras companheiras, de cabelos desarrumados, rostos pálidos, roupas muito simples e sem graça, algumas tão exageradamente despojadas que calçavam tenebrosas sandálias franciscanas.

Acho que a mudança de layout da ministra tem as duas coisas, trabalho de imagem e vontade pessoal. E ela não é a única a dar um trato no visual; as “jubas” domadas da Luciana Genro e da Jandira Feghali são dois exemplos recentes.

E, a favor da ministra, pode-se dizer que sua plástica foi bem sucedida, pois discreta. O que já não se pode dizer algumas “celebridades” - e isso inclui as da política -, submetidas a tantas intervenções que ficaram com uma pele muito esticada, lábios excessivamente volumosos, um rosto sem expressão e ostensivamente artificial que denuncia a “idade” que tanto querem esconder.

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domingo, 25 de janeiro de 2009

Inveja

Mais uma amiga anuncia que breve será avó. Várias já são.
Na boa, mas rola uma inveja...

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O castigo de Dedina

Alice Rossini

Para minha surpresa, a novela “A Favorita” perdeu a chance de reconhecer como humano e passível de uma análise mais atual, a traição. No caso, a feminina.

Dedina, personagem da bela Helena Ranaldi, vivia um casamento equilibrado e feliz, sob o ponto de vista do marido, diga-se de passagem. Prefeito, e político idealista, comprometido com a causas sociais, deixava-se absorver, exemplarmente, pelos problemas da sua cidade, desconhecendo, por falta de tempo e ranço masculino, os anseios e desejos de sua bela e jovem mulher.

Ela, companheira e dedicada, não esquecia seus deveres de primeira dama. Mas convivia, perto demais, com o melhor amigo de seu marido, vivido pelo não menos charmoso e sensual Malvino Salvador. A proximidade dos dois, a carência de um e a sensualidade machista do outro, acabaram por criar um clima erótico, apimentado pela impossibilidade, uma vez que Salvador era o melhor amigo do Prefeito.

Nós mulheres, por termos mais consciência das nossas carências, facilmente não só as identificamos, como também escolhemos quem pode suprí-las. Sentindo a correspondência do amigo que, covardemente, não só não se afastava mas também não se decidia, Dedina resolveu, como qualquer ser humano o faria, partir para o "ataque".

"Tudo que começa errado termina errado", ja dizia minha avó. Até porque, a força que aproximava aqueles dois era a sexual, mas motivada, como disse acima, pela impossibilidade e pela atração do ser humano pela transgressão. Ja disse Marilena Chauí, "não existiria erotismo se tudo fosse permitido".

Dedina é descoberta, e o roteirista coloca o marido traido como uma vitima indefesa e isenta de qualquer culpa. Nem que fosse pela condução equivocada e egoista do seu casamento.

Flagrada no "pecado" de buscar amor e carinho em braços alheios, nada resta a Dedina, cheia de culpa, senão rastejar em busca do perdão. Detalhe, ela ama o marido e, pelo outro, sente forte atração sexual, que nós mulheres teimamos em misturar com conteudos amorosos, para justificar nossos "deslizes". Aos poucos, reconquista o marido que a ama, mas reincide! Reincide e é colocada para fora de casa, tal qual as mulçulmanas do outro lado do mundo, costumes que nós, civilizados, tanto criticamos. So faltaram o chicote e o apedrejamento

Estes requintes de perversidade foram, metaforicamente, usados pelo amante que a rejeitou, vendo nela a origem de toda sua infelicidade, a perda do amigo e da imagem de bom moço que gozava na cidade.

Desestruturada pelas humilhações e colocada mais uma vez para fora de um lar que a abrigasse, começa como uma louca a perambular pelas ruas da pequena cidade. Povoada por pessoas preconceituosas, mas também cheia de "boas almas", "mulheres bravas e solidárias" vividas pela família do velho comunista Copolla, indiferentes, vem a "traidora" passar fome, dormir em bancos de jardim e ser vítima de estupradores.

Dedina adoece e morre no leito do marido. O ex-amante, igualmente traidor, ainda chega a tempo de ouvir seu pedido de perdão pelos percalços por ela provocados. Como prêmio, refaz sua vida com outra mulher. Na ficção como na vida...

Tratada e castigada como vilã, a Globo, tão complacente com delitos mais nocivos socialmente, perdoa e modifica,de ultima hora, carateres e personalidades, leva o telespectador a lançar sobre fatos do cotidiano um olhar mais realista e compassivo, induzindo-os, muitas vezes, a juízos mais tolerantes, com a Dedina usou de um maniqueísmo absurdo! Nem se deu ao trabalho de tratar o destino da personagem sob o "espírito" do atual Código Civil Brasileiro que, evoluiu para discriminalizar o adultério.

Com Dedina, usou o rigor e o atraso do Alcorão!

... e a salvação de Catarina

Mais uma vez, a novela “A Favorita” surpreendeu. Desta vez, através da personagem de Catarina. Uma dona de casa submissa, cujo tamanho do universo fez com que se submetesse, durante anos, a um marido violento, perverso, machista, que não amava, sequer, os próprios filhos. Como sempre, Lilia Cabral subtrai da interpretação da personagem, qualquer clichê capaz de inspirar no telespectador mais indignação pelo marido que piedade pela mulher, tamanha a grandeza da sua alma e a beleza e a dignidade com que conduz a própria infelicidade.

Sofre, mas não se deixa contaminar por sentimentos mesquinhos. Corajosamente, protege os filhos, libertando-os do estigma de uma paternidade doentia que os torne reféns de uma infância infeliz. Trauma só os necessários. Nunca deixam de apoiar a mãe.

No decorrer da novela, Catarina descobre um homem, simples verdureiro, que através de pretensos bilhetes, na verdade escritos, piedosamente, pelo próprio pai, devolve-lhe, aos poucos, a auto-estima já fragilizada. Paralelamente, começa a amizade com uma mulher, ja dona de um restaurante, que lhe oferece emprego, aproveitando seu, e até o momento, único talento, cozinhar. Tornam-se amigas e sócias e o empreendimento faz sucesso pela qualidade e pelo atendimento.

Sentindo-se útil, a mulher começa a desabrochar. Aceita a corte do verdureiro Wanderley e, durante o rápido namoro, vão para a cama. Descobre o corpo, o prazer, a sexualidade, a normalidade. Abrem-se então, através de descobertas tão instintivas, as infinitas possibilidades que a vida pode oferecer para quem está preparado para experimentá-las. Uma Catarina livre e dona do próprio destino, desmancha o casamento com seu salvador, justamente por ter sido ele quem lhe abriu as grades do cárcere existencial em que sobrevivia.

Foi uma cena tocante, amorosa e respeitosa o final do romance do verdureiro com a ex-dona de casa. Ele também foi tocado pela grandeza daquela mulher, cuja saúde da alma, confessa, teve o poder de torná-lo um ser humano melhor.

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domingo, 11 de janeiro de 2009

O brilho do desejo

Alice Rossini

Fim de Ano. Decidir como passar de um ano pra outro não chega a ser um problema mas ocupa algumas horas de muitas elocubrações, embora, a maioria de nós tenha consciência de que tudo não passa de mera convenção. Está tão fortemente impregnada no nosso inconsciente, que fazemos promessas, apelamos para divindades, mesmo os céticos e, todos os anos, queiramos ou não, cumprimos os mesmos rituais. Tudo continua acontecendo, de bom ou ruim, perdas e ganhos, fatos sucedendo fatos, todos indiferentes ao calendário.
Este ano, mais uma vez, meu marido e eu fomos para um lugar estratégico, onde pudéssemos, confortavelmente, apreciar um dos shows pirotécnicos que acontecem em todos os cantos e recantos do planeta. Há algum tempo, estes shows acontecem, tanto para encantar, quanto para matar: o homem não dá trégua.
Felizmente estávamos na "faixa" em que a pirotecnia estava a serviço do encanto, na Baía de Todos os Santos. Milhares de embarcações, do barquinho a vela às escunas exclusivas ou àquelas compartilhadas por muitas pessoas, todas muito animadas, cantando e dançando, até lanchas e veleiros, elegantes e discretos, tanto no número de convivas, quanto na forma de externar a euforia de adquirir o "direito" viver mais um ano, brigavam por um lugar sob as estrelas.
Embora o mar seja imenso, o ritual requer algumas precauções e a área confortável e segura para visibilidade restringe-se. Ficam todos, barcos, escunas, lanchas e veleiros, muito próximos. Tão próximos que olhos atentos podem perceber expressões de rostos que, embora anônimos, guardam entre si a semelhança que só a esperança empresta.
Embora atenta à beleza da explosão em fogo de mil cores e formas, fico imaginando se, naquele momento, pudessem se materializar todos os sentimentos que fugiam dos pensamentos e, por instantes, aninhavam-se nos brilhos de milhares de olhos voltados para o céu! Ah! Quantos desejos antigos e nunca satisfeitos, quantas saudades nunca aplacadas, quantos fantasias de poder estar vendo tudo em companhia de outra pessoa ou quanta vontade de estar com a mesma pessoa vendo outras coisas. Quantas lágrimas de esperança, gratidão e saudade. Quantos desejos impossíveis, e por isso mesmo, tão carinhosamente regados pelo tempo; quantas recordações amargas que os fogos não podem queimar e quantas lembranças felizes que eles também não podem reacender!
Enquanto o encantamento de formas e cores enfeita o céu que, democraticamente, cobre e acolhe a todos, continua em cada olhar o brilho que o ser humano, enquanto vivo estiver, jamais perderá - o brilho do desejo! Dos possíveis aos impossíveis, dos que podem ser gritados aos que devem ser escondidos, dos que abraçam a humanidade inteira aos que só acariciam parte do nosso corpo. Não importa de qual natureza é forjado. É importante que exista, pois é por ele que vivemos.
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Um carioca na ex-Iugoslávia

"O Kosovo independente é tão ridículo quanto uma Baixada Fluminense independente.

O nível de desenvolvimento socioeconômico é o mesmo. Pristina é uma cidade curiosa. Lembraria Nova Iguaçu, por exemplo, no tipo de prédios e na forma de urbanização, exceto pelo fato de a arquitetura ser adaptada para lugares com inverno rigoroso. As casas e edifícios têm chaminés e telhados inclinados, sempre, para a neve não acumular tanto. Fora isso, é uma cidade de prédios baixos, ruas largas e pouco decoradas, muito concreto, comércio popular (camelôs e lojas de bugingangas) e vários carros velhos."

O trecho acima é do blog Yugoboy, criado pelo jornalista carioca Pedro Aguiar, que está em viagem de estudos na região da antiga Iugoslávia e arredores. Vale a pensa clicar no link ao lado e acompanhar o que ele define como "um exercício de arquelogia do recente, de etnografia pop e também de jornalismo... num um país que deixou de existir aos poucos entre 1991 e 2008, mas que ainda tem muitas relíquias prontas para serem escavadas."
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Meu filho vai casar!

Alice Rossini

Meu filho vai casar! Simples assim, vai casar.

Ainda lembro os dias em que minha cabeça enviesada de mãe de primeira viagem, na companhia de minha mãe, também avó de primeira viagem, procurávamos, cheias de apreensões e critérios psicopedagógicos, uma creche que tivesse a amor de casa de avó, disciplina de colégio e segurança de casa de mãe. Um lugar que pudesse acolher meu filho, com apenas de 2 anos de idade.

Achamos uma, Montessoriana, que prestou-nos o relevante serviço de mostrar que o único lugar onde um ser humano não corre riscos é no ventre materno. Tudo bem, meu filho foi para uma escola com nome de flor e cara de sol - Girassol - e lá permaneceu até a quinta série, quando eu, mais chorosa que ele, o transferi para outra escola que tinha nome de missionário - Anchieta. Não faz muito tempo, não conseguia conter minhas lágrimas de saudade, das escolas, do que significaram na infância e na adolescência do meu filho e da época em que, ingenuamente, achava que poderia protegê-lo da vida.

Daí para a Politécnica de Engenharia, foi um pulo. Um vestibular, a certeza da aprovação e em 5 anos, levitávamos, ele e eu, pelo corredor do Salão Iemanjá, no Centro de Convenções, onde, simbolicamente, graduei-o engenheiro.

Tudo fluiu de forma aparentemente tão simples e tão rápida, que logo estaria vendo-o, cheio de malas, sumindo no corredor do aeroporto, indo morar em São Paulo, onde, durante 5 anos, viveu longe de mim, embora continuasse meu filho e minha casa, ainda sua casa.

Agora, meu filho vai casar! Simples assim? Nem tanto! Aliadas às minhas expectativas, minhas entranhas avisam que, mais uma vez, se apartará de mim e eu não poderei mais percorrer abrigos onde a segurança e o amor tenham a mesma intensidade das que frequentou durante toda sua vida. Agora, é ele quem percorre seus caminhos, à procura do melhor lugar que o acolha.

Para as que ainda não sabem, o corte deste cordão, ainda que nos traga felicidade e a certeza que fizemos "quase" tudo certo, é o mais difícil, porque definitivo. Não mais ouviremos portas se abrirem nas madrugadas, não mais vozes clamando ou reclamando - "mãe! quero água!", "compra o pão!", "manda passar aquela camisa!", "cadê meu tênis?", "essa comida está horrivel!", "você nunca mais fez aquele bolo de milho!" - não estaremos por perto quando o castigo ou a tarefa forem maiores que sua capacidade de suportá-los, quando a febre chegar, quando a chuva cair, quando o sol se abrir, quando o céu estiver cheio de estrelas ou todas sumirem e as nuvens o nublarem. Quando o dia amanhecer chuvoso, não podemos obrigá-los a levarem o agasalho e, sob o sol causticante, não espalharemos filtro solar sobre seus rostos e ombros, agora expostos ao sol, à chuva, à vida.

Meu filho vai casar. Nada simples, embora muito natural. Outra mulher dividirá com ele a própria vida! Que se façam felizes, que se aturem, se cuidem, se amparem e tenham, um pelo outro, muita compaixão. Resta a esperança que a distância e a vida que se imporá de forma inexorável, misture nossas lembranças e, nesta mistura, nossos corações se aproximem, mãe e filho, criador e criatura, sob a lei do eterno retorno, encontrem um no outro, respostas pra suas perguntas, redenção para seus pecados, e mais motivos para continuar a vida.

*Alice Rossini é aposentada, nada além disso
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sábado, 27 de dezembro de 2008

Dois amigos, dois Natais

Há pouco mais de duas semanas, um amigo perdeu a esposa, sua companheira de muitos anos. Foi de repente, um golpe inesperado. Fiquei triste com sua dor.

Anteontem, dia 25, uma amiga ganhou uma netinha, a primeira. Fiquei feliz com a sua alegria.
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Os pássaros e eu

Acabo de ler no portal G1 que uma família de Ribeirão Preto, interior de SP, vai passar alguns dias sem usar o carro para não espantar um beija-flor que fez o ninho debaixo do automóvel. É o tipo de notícia que chama a minha atenção, primeiro porque adoro bicho. E, depois, porque passo, pela segunda vez, por situação parecida.

A primeira foi há alguns anos; e, confesso, não foi tão prosaica. É que, em vez de um beija-flor, uma pomba aproveitou um fim de semana para colocar seus ovinhos em uma das plantas da janela do meu escritório. Quando cheguei, na segunda-feira, e fui levantar a veneziana, lá estava ela instalada no vaso, chocando os ovos. Levamos (as duas) um susto daqueles: eu, com o inusitado da situação, e ela, com aquele ser ameaçador. Mas logo compreendi que não me restava outra opção senão me conformar com a nova vizinha e evitar chegar à janela – ou fazê-lo com muito cuidado, para não assustá-la. E também nem pensar em levantar o vidro para regar as plantas. A sorte é que cacto agüenta muito tempo sem água.

Bem, um dia os pombos nasceram e eu, ao contrário do que imaginava, não fiquei nem um pouco enternecida. O problema não foi a feiúra dos dois bichinhos - pelados, com pescoço enrugado – mas o fato de empestearem o ninho/vaso com seus excrementos. Minha paciência já estava no limite depois de mais de um mês sem poder abrir a janela e limpar a imundície do peitoril, que só fazia aumentar.

À medida que cresciam e ganhavam penas, a aparência dos dois melhorava. Mas eu estava louca para que eles tomassem coragem e ganhassem o mundo. Levou um bom tempo até que o primeiro se animasse a voar. O outro, medroso, esperou mais uma semana para deixar o ninho. Comemorei o feito abrindo a janela e providenciando a limpeza e desinfecção do peitoril.

Atualmente, acompanho através da janela do meu quarto o surgimento de uma nova família de bem-te-vis. Desta vez, os ovos foram depositados em um ninho construído na jardineira do andar de cima. A fêmea fica no ninho, enquanto o macho vigia, empoleirado no alto de uma das inúmeras árvores da rua. O bichinho é atento, e bravo. Quando chego à janela, ele começa uma série de vôos ameaçadores em minha direção, piando alto (bem-te-vi, bem-te-vi!).

No início, eu me assustei, com medo de que ele se chocasse contra o vidro. Mas quando vi que ele passava a uma distância segura, relaxei e passei a observá-lo. Todos os dias, assim que me vê, ele dá um, dois, três vôos, cada um vindo de uma direção. Depois, sossega em um galho e permite que eu estique o pescoço para olhar a movimentação da fêmea e dos filhotes no ninho, cuja abertura, para minha sorte, está voltada para fora.

O que é curtição para mim, é frustração para os meus gatos, que também se aboletam na janela. Dá dó vê-los ali, atentos, de bigodes e orelhas em pé, emitindo aqueles miados curtos, típicos dos momentos de caça. Que, no que depender de mim, nunca acontecerá.
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segunda-feira, 22 de setembro de 2008

No Brasil, é proibido envelhecer

Sérgio Gomes*

Acabo de completar 60 anos. Entrei naquela faixa etária que estão chamando eufemisticamente de “a melhor idade”.

Pois sim, como dizia a minha avó.

- Idade é pelanca só!

Também ando desconfiado dessa conversa de “melhor idade”, pois ao virar sexagenário ganhei de cara um belo presente dado pelo meu plano de saúde, que aplicou no meu seguro um formidável aumento de 140%.

Ao ver o tamanho da fatura, liguei para o plano, achando que eles haviam cobrado errado.

Nada. A moça do outro lado da linha logo me sapecou um gerúndio fulminante:

- É aumento automático para todos que vão estar fazendo 60 anos como o senhor.

Entendi, pessoas idosas correm mais riscos de contraírem doenças, daí o plano de seguro cobrar mais caro, para se prevenir.

Mas, precisava aumentar tanto? - pergunto eu, ao vento, por que no Brasil não se tem mesmo, a quem de direito, perguntar.

Acho que nada, rigorosamente nada, em qualquer parte do mundo, pode subir de uma hora para outra uma exorbitância dessas.

Não parece aumento, mas uma penalidade – é como se o sujeito idoso, ao completar 60 anos, tivesse cometido um crime, sendo logo forçado a pagar uma fiança pela teimosia existencial.

Fico imaginando o burocrata do plano de saúde constatando a minha promoção à terceira idade, dizendo lá para os seus botões:

- Ah, fez 60, não foi? Sujeito atrevido! Hummm!... Agora vai ver o que é bom para a tosse!

Não tossi não, mas realmente engasguei com o tamanho da fatura.

A segunda reação que tive foi a de ligar para o meu advogado, pensando em entrar na justiça contra o abusivo reajuste.

Levei balde de água fria. De acordo com ele, não adianta chiar, por que se trata de lei, está no contrato assinado, e todos que reclamam perdem.

Desconsolado, falei para a minha mulher:

- Tenho de reconhecer, você é que está certa!

- Por quê? – perguntou-me ela, sem entender.

- Há mais de duas décadas você não sai dos 39 anos! Continue assim.

- Ué, por quê?

- Você não imagina o quanto nós vamos economizar!

* Sérgio Gomes é jornalista.

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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Ex-JB

Sílvia Helena*

30 de agosto, almoço na Fiorentina com a galera do Jornal do Brasil de 30 anos atrás. Ao rever as pessoas, revivi com emoção um tempo passado, quando a gente, nós todos que estávamos ali, achávamos o jornalismo uma coisa muito legal de se fazer. Um meio honrado e honroso de se ganhar a vida. Olhando para trás, foi um privilégio ter participado daquele grupo, daquela redação - que hoje me parece tão extraordinária.

Por que? Não vejo mais no Brasil - talvez alguma exceção? - um espírito profissional como o que tínhamos:

- lealdade, que se chamava de "patota", "panela", e que se resumia a uma coisa que eu acho cada vez mais bonita e que simplificadamente se pode definir como "o amigo do meu amigo é meu amigo; o inimigo do meu amigo é meu inimigo";

- disposição para procurar uma boa história.;

- orgulho de um bom texto;

- compromisso com a defesa de idéias.

Isso, que não é pouco, parecia apenas normal.

Acabou. Não interessa procurar as razões: seria um exercício em vão. Chega de saudade.


* Sílvia Helena é jornalista e escritora.

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domingo, 13 de julho de 2008

Eu, versão 5.0


Gladis Costa

Aconteceu!

Numa noite eu tinha 49 anos e no outro dia, acordei com 50. Mas não foi só esta a diferença. Houve uma mudança perceptível dentro de mim, que teve início há alguns meses. Na época não conectei as coisas, mas na manhã do meu aniversário aquela angústia mudou, não que tivesse desaparecido, estava um pouco mais suave, como se o sapinho que a gente engole todos os dias tivesse ficado um pouco menor, ou com um sabor mais suave, ou com as perninhas não tão atravessadas, sabe, foi um pouco melhor.

Ninguém me avisou. Minhas amigas, que passaram por esta fase, ou se prepararam para isto e tiveram uma experiência muito agradável ou simplesmente sabiam que a coisa ia ser dolorida, tão doída que na tentativa de me poupar de saber com antecedência o quanto eu sofreria, preferiram nem me avisar. Não as culpo. Eu também faria o mesmo, porque ninguém merece.

O incrível é que todo o ano ficamos mais velhas, mas desta vez, mudam os dois dígitos e isto é que pega. Porque dos 20 aos 30, por exemplo, é a idade das experiências interessantes, dos romances arrebatadores, dos noivados e casamentos, dos 30 aos 40, você está no auge de sua carreira, seu casamento pode ter acabado e as mais felizes e mais rápidas já engataram num outro relacionamento, dos 40 aos 50, você já ganhou algum dinheiro, tem um bom network, as pessoas te conhecem, você exerce um certo papel no seu grupo, na sua família, enfim, se você está só, muitas vezes é por opção, por não querer alguém perguntando porque você demora tanto pra se arrumar, porque não sai do computador, porque fala tanto ao telefone, enfim, muitas vezes é o momento em que você é dona da sua vida, integralmente.

E agora, o que me espera? Dos 50 aos 60? Porque não consigo deixar de me ver dentro de outro grupo. Daquele grupo. Sei que posso ter um espírito jovem, mas o corpo tem vida própria. Ah, mas você dirá, “o que importa é sua cabeça”. Com certeza, mas sua cabeça é racional, lógica, ela é a primeira a te dizer: agora você faz o que você quer, ou melhor, você só faz o que você quer e se você prefere assistir a uma maratona do seu seriado preferido ao invés de sair com suas amigas, por que não? Qual o problema?

E tem os homens, ah os homens... Se experiência representasse alguma virtude para eles, eu estaria bem feliz. Tenho um amigo que costuma dizer: “Se eu quisesse um cérebro perto de mim, casava com o Einstein”. E hoje, do alto dos meus 50 anos, posso dizer com a boca cheia (ou não, na realidade, morrendo de vergonha): a única coisa que eu tenho é um cérebro, que já me deu alguns sustos no passado, hoje superados (e operados)! Porque, admito, estou fora do peso, uns bons quilos, e o pior, não me sinto culpada, não a ponto de pensar: “pôxa, preciso fazer alguma coisa”, só um pouquinho chateada porque nem todas as roupas legais são feitas para as gordinhas, de resto, troco qualquer sessão de academia por um bom livro. Nesta fase, por exemplo, estou encantada com uma autora portuguesa chamada Margarida Rebelo Pinto, que, depois de Marian Keyes, autora de Melancia, tem sido minha companheira de criado mudo. Margarida é uma notável escritora em seu país. Aqui tem uns três livros publicados e o que eu acabei de ler é “Alma de Pássaro”, lindo, sensível, maravilhoso. Bom, mas nesta fase em que me encontro, toda a obra que aborda o relacionamento difícil e conflituoso entre um homem e uma mulher é lindo, sensível e maravilhoso, portanto, há que se dar um desconto. Ela não é tão descontraída quanto Marian Keyes, mas os elementos estão todos lá: o humor, o sarcasmo, a ironia e esta reflexão sobre o mundo masculino e feminino. Eu já li “Não há coincidências” e “Sei lá” e continuo em êxtase. Ela é meio a Carrie Bradshow de Portugal. Carrie é a personagem vivida por Sara Jessica Parker no seriado “Sex and the City”.

Em tempo, já que mencionamos o assunto, assisti o filme "Sex and the City”. Bacana, podia ser mais profundo, aquela superficialidade que se reflete nas preocupações com a roupa, o sapato, a bolsa continuam. Dá a impressão que as mulheres do seriado não envelheceram ou pelo menos, fica a sensação que de que é apenas mais um episódio. Sabe, não fica muito clara a vivência ao longo do tempo que as separou de uma fase para outra. Sei lá, a gente muda tanto, não é mesmo? O que realmente aconteceu com a vida delas? Parece tudo tão simples, tão vazio. Bom, minha opinião.

Enfim, voltando à versão 5.0 de mim mesma. Este desabado é para falar do medo que estou sentindo por ser uma cinqüentona, mas não daquelas saradas, tipo Vera Fisher ou Sharon Stone, não, apenas uma cinqüentona assustada com o que pode rolar daqui para frente, torcendo para que os homens da minha idade me vejam como alguém do grupo, não alguém que já passou da fase de viver um relacionamento porque, “ela é meio coroa, né?”. Que as empresas me vejam como alguém que pode ensinar, por já ter vivido muito, por já ter passado por várias mudanças e que eu mesma, ao me olhar no espelho, veja lá no fundo uma criança feliz, que cresceu, virou uma garota bacana e agora, depois de tanto tempo, tanta coisa vivida, se transformou numa jovem mulher.


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domingo, 6 de julho de 2008

Meu coração vagabundo e grená

Rosane de Souza

Meu coração vagabundo e grená coleciona derrotas. Trago ele hoje nas mãos, o acaricio e, como uma pessoa saudável, o acolho e isolo de notícias do mundo. Não o deixo também saber de qualquer maldade ou piadinha idiota daqueles que sequer entraram em campo. É uma coisa pequena, vocês podem pensar, apenas brincadeiras com um jogo de futebol, mas no fundo mostra aquela parte da sordidez humana que adora ver o outro perder, se machucar. Que se regozija com a derrota alheia. O que se expõe como brincadeira em jogos revela o que se esconde na alma humana em outras áreas não triviais. Mozart soube disso como ninguém.

Algo em mim dizia, e manifestei isso várias vezes, que algo estava muito errado. Os sinais da derrota eram visíveis – meu gorro perdido, ingressos disputados como farinha pouca meu pirão primeiro (essa triste qualidade dos miquinhos amestrados da classe media) e, para culminar, os microfones do Maracanã aberto às idiotices big brodianas de Pedro Bial. Era, certamente, uma festa das celebridades cultivadas na pira da mediocridade. O, meu Deus, se tivéssemos pelo menos 10% dessa garra de torcer por um clube voltada para o nosso País, com certeza, viveríamos em um que nos desse orgulho. Até me emocionei com a faixa dos equatorianos: Gracias Equador. Sei que, hoje (não hoje, 3 de julho, mas nos dias atuais), eles têm do que se orgulhar.

Só uma coisa perturba hoje o meu coração grená, apaixonado e esquizofrênico, aquele que assiste impassível o que lhe dói, como se nada lhe dissesse respeito. ( Afinal, tenho muito trabalho a fazer). Eu fui assistir o jogo no Planeta do Chopp, na entrada da 28 de Setembro, por ser perto do Maraca. Dali, podia ver, e vi, as belas lágrimas verde e grená transvertidas de fogos. Quase podia tocar meu pai, o velho Chico que nunca foi Francisco e recebeu esse apelido por insondáveis caminhos só existentes em Salvador. Podia ouvi-lo, de novo, claramente e com o mesmo fascínio infantil, me dizer:”lembre-se: tricolor é tricolor em qualquer lugar. Aonde for, seja qual for o lugar que escolher para morar, tenha um time tricolor para torcer e sofrer as dores e as alegrias de ter três cores em seu coração”. Meu coração virou um arco-íris azul, vermelho, verde, grená e branco. Todo jogo é um reencontro com meu pai.

Na hora dos pênaltis, resolvi sair. Disputa de pênaltis sempre foi uma loteria pra mim – e jamais ganhei algo com ela, nem reles dez reais. Mas, no caminho, encontrei um homem , que, na imensa fragilidade da noite de ontem, me disse que ia ao mesmo barzinho onde assistia todos os jogos ver a disputa de pênaltis. Era seu amuleto. O carro, me disse, deixou na rua 8 de Dezembro, rua, aliás, onde moro. Até tentei convencê-lo a deixar o carro por lá – me disse que morava em Jacarepaguá. Mas me assegurou que não ia pela serra, escolheria outro caminho mais plano e chegaria em casa, apesar dos incontáveis chopps que tinha tomado. Fui com ele até o bar, ele pediu uma cerveja, fizemos o brinde dos assustados e, depois de tantos pênaltis perdidos (assim como qualquer esperança), disse que ia embora, deixei a minha parte da cerveja na mesa e sair, com medo do caminho que, sabia, teria de enfrentar até em casa – e enfrentei: fogos ameaçadores, gritos de um mengo que não vi em campo e até do medíocre Obina.

Meu coração, que não agüentou um só dia de um solene voto de só cuidar de si mesmo – depois de assistir tantos exemplos de farinha pouca, meu pirão primeiro – insiste em me dizer: não devia tê-lo deixado só. Aquele brinde, silencioso, pode muito bem ter sido o último que você fez com ele. Espero que não, mas o vi sequer perceber que falei com ele, que deixei o dinheiro. Olhava, estático, como se não acreditasse no que via, o gesto de silêncio que o mais novo escravo-alegre do futebol europeu fazia para a torcida tricolor. Não, não devia tê-lo deixado só. Meu coração vagabundo, grená e apaixonado não consegue se desvencilhar dos caminhos da solidariedade humana.

*Rose, jornalista, é baiana e, claro, torce pelo Bahia desde que nasceu. Mas, como boa geminiana, e seguindo os conselhos do pai, abriga o Fluminense em seu coração.


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domingo, 22 de junho de 2008

O mofo do exercício

Ainda dentro do tema academia de ginástica, lembrei de um “causo” engraçado. Um dia, quando entrei na sala de musculação, levei um susto ao me olhar no espelho: meu rosto estava coberto por uma máscara branca. É que, com o suor da corrida na esteira, o protetor solar, aparentemente absorvido após a aplicação, tinha voltado à superfície da pele e ficado incomodamente visível. “Cruzes! Acho que exagerei no protetor”, exclamei em voz alta.
Na mesma hora, uma mulher que se exercitava em um aparelho ao lado, rebateu dizendo que, pelo contrário, eu estava corretíssima. E a conversa engatou, tendo os benefícios do protetor para a pele como tema. Até que ela soltou esta pérola: “Eu freqüentei uma academia super chique, onde todo mundo botava quilos de protetor no rosto. Lá, quem não tem rosto branco, é considerado brega.”
Ai meus sais. As teorias mais recentes mostram que o exercício traz benefícios para os neurônios. OK. Mas tendo a concordar com a minha grande amiga Mausy, que diz que quem se exercita em excesso acaba ficando com os neurônios mofados.
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