Como toda criança, vim ao mundo aos berros. A diferença é que eu não parei de gritar. Enquanto os outros bebês ficavam quietinhos no carrinho em que eram levados para serem amamentados, eu fazia tanto escarcéu que as companheiras de enfermaria de minha mãe avisavam: "Maria, lá vem sua filha".
A medida que crescia, o berreiro foi sendo substituído pela inquietação (hoje chama-se hiperatividade). Sapatos, só para ir à escola; os dedões viviam ralados de tanto chutar o cimento tentando acertar a bola; passava horas em cima de árvores. Naquela época, dizia-se que pessoas irriquietas tinham "bicho-carpinteiro". Eu tinha vários.
Na tentativa de me domar, mamãe fez de um tudo: do livro de boas maneiras ao castigo, a suspensão do lanche toda vez (sempre) que eu ficava enrolando para almoçar, e até o famoso método Piaget de português (o tamanco). Acreditando que eu era encapetada, mandou-me para um colégio de freiras. Onde aprontei muito.
Quando meu filho mais novo nasceu, também berrando muito e com os cabelos em pé, ela comentou, ferina: "Ele vai ser igualzinho a você, que vai passar agora por tudo o que eu passei!"
Não passei. Amei cada capetice daquele indiozinho e do irmão mais velho, embora este tenha sido muito tranquilo na infância.
E, talvez por isso, pela sabedoria da velhice e alguma terapia, mamãe passou a ver com outros olhos a sua filha difícil. Continua contando a história da maternidade, mas agora diz, orgulhosa, que eu gritava porque tinha fome de viver.
Valeu mãe!
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Fome de viver
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Eu, Lucas e Clarice
Rosane de Souza*
Pouco me passou pela cabeça a idéia de escrever sobre meu neto. Já há diários demais, blogs e vidas expostas em quantidade suficiente. Já tinha até desistido não só de escrever como também de ser avó, quando Lucas, que poderia ser Mateus ou Thiago -- meu nome preferido por acreditar mais forte --, disse olá na minha vida.
Desde que soube que viria, fiquei quietinha, com medo de, ao externar alegria, atrair alguma malasorte (como dizia minha sertaneja mãe, que também insistia em chamar rosbife de malassada ), palavra que o Word logo tinge de vermelho em desaceitação. Alguns contratempos pareciam confirmar a tese de que ele era seria sempre apenas uma ficção, um personagem do livro que jamais escreveria.
Mas ele apareceu, apesar de e por sobre os meus medos. E é um bom menino. É fácil amá-lo. Embora não seja lá muito bem- humorado. O que para qualquer criança é coisa engraçada, de rolar de rir, nele vira apenas um tema de curiosa reflexão e de franzir de testa, como se pensasse: “que diabos ela pensa que está fazendo?”. Escolhe do que rir, como quer, a hora em que quer, e, muitas vezes, faz isso retribuindo o sorriso do outro, daquele que não sou eu, -- na maioria das vezes, seres absolutamente inanimados: plantas que o vento balança, ventiladores de teto, fotos antigas, cores, luzes, meu pai e minha mãe em foto desde que o mundo é mundo.
Mas o que escrevo aqui, penso eu, é menos sobre netos e mais sobre o que eles refletem. É sobre aonde ele me arremessa: ao que fui. Com ele, por exemplo, voltei a viver um tempo inenarravelmente lento, como só os domingos sabem ser. Acho os três meses que fará em 18 de outubro uma eternidade. É o tempo que achava que durava o ano até o chegar o carnaval, quando era menina e acreditava mais em Deus. Ou o Natal, o que dá no mesmo, porque o essencial aqui é a espera de alguma coisa boa.
Lucas é também o único traço a mostrar estive aqui, embora só para alguns, que andei por essas ruas e, mais do que por aqui, caminhei por Salvador, embora não diga mais nada de mim -- de quem fui, como pude e o que restou, ao fim. É também a única testemunha de como mudei, porque os outros mal viram como me encolhi igual a uma concha.
Pensar que andarei por aqui quando não mais estiver, mesmo que não seja exatamente eu, consola e alivia as dores de um tempo em que pessoas não importam. Quiçá, mas isso já seria de uma sorte inacreditável, sonhe os sonhos que não me foram possível.
Em pessoas como eu um neto não convida só ao brincar e a contar peraltices. Obriga à reflexão sobre a velhice e a desistência de ser o que se foi.
Que memória terá o meu neto de mim? Que Deus me ajude a ser só uma pequena parte de quem sou hoje. Não sou nem a sombra do que fui – e nem sei é bom, aliás, creio que de todo não. Hoje sou gentil e cumprimento até a quem não gosto. Mas engulo sapos que coaxiam nas madrugadas de minha alma. Não grito mais que é crime o que andam fazendo com o Velho Chico, meu São Francisco, que vai inundar as terras dos que já têm tudo até água e secar a sua própria e generosa fonte. E o povo nordestino continuará a ser aquele que acha que Dilma, em quem diz que vai votar, é a "esposa" do presidente. Aquele que não só ler sem entender, como também ouve sem pensar (já que as TVs falam dela sempre).
Analfabetos funcionais de olhos e ouvidos.
Mas, pensando bem, talvez seja bom que testemunhe o que "pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma". É o que disse Clarice, a Lispector, numa carta as irmãs. "Não pensem que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro" ...
Ela diz mais e melhor do que eu: " Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu…Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força".
Que seja passageiro.esse estado de andar na vida só por ver os outros andarem.
*Jornalista e AVÓ
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domingo, 11 de outubro de 2009
Se Londres fosse a Palestina...
Minha querida amiga e colaboradora (sumida) do blog, Sonia Aguiar, enviou-me este filme, vencedor do Festival CTRL-ALT-SHIFT. Seu comentário: É curto. E Forte.
http://www.ctrlaltshift.co.uk/nowaythrough
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terça-feira, 14 de julho de 2009
Real idade
Marisa Silvera*
Meia meia! Fiz idade
no dia 13 de junho santoantonal
e até recebi parabéns do aparato social.
Faço hidro pra artrose
Musculação pra prevenção de osteoporose
RPG pra ferruginose
Ah! ainda faltou a repetição
num tempo tomado do sol
diariamente pra vitamina D fixar,
mas não posso me queixar,
pois faceira, ainda consigo caminhar
ou é o que penso que posso. Metáfora?
Levantei pra buscar os óculos,
voltei horas depois...
Nesta ida, fui à cozinha,
pus, no leite, o resto do yogurt pra transformá-lo em mais
de lambuja até passei aspirador,
pendurei roupa no secador
e fiz suco de limão.
Dos cabelos, já não cuido.
Os escritos, não os leio.
Perambulo no apartamento,
desligada, sem receio.
Do tricô me afastei.
Esquecida? Avesso ou direito?
Mesma coisa com o fogão.
Antes ninava as filhas,
agora só recordação...
Quando sento, me dou conta
e os óculos? Onde estarão?
Faço hidro pra artrose
Roubo cedo um tempo do sol
- prevenção de osteoporose -
Bebo cálcio leite yogurt queijo,
mas não me queixo,
acho até bom,
distrai o corpo
e o corpo me distrai,
contrai estende alonga encolhe,
escolhe um vestido uma blusa a calça,
mas tudo acaba na recusa
deste de agora corpo
que me trai.
Bobagem...vaidade.... futilidade...
Fiz 66
e ainda me dão parabéns.
Por que?
Nunca entendi.
Parabenizar o que nada fiz
como todos apenas vivi.
*Criada, como diz, na roça do Rio Grande do Sul,Marisa é formada em fonoaudiologia, tem mestrado em literatura de língua portuguesa e é especialista em Adélia Prado e Guimarães Rosa.
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terça-feira, 7 de julho de 2009
Ivo, viu a uva
Eu já estava ficando de saco cheio. E, agora, ele explodiu.
Recebo zilhões de releases por dia. Filtro no webmail (pelo título) os que interessam para baixar e detono o resto. Mas, volta e meia, me deparo com atrocidades gramaticais. E uma das mais frequentes é a que coloca vírgula entre pronome e verbo.
O que me deixa irritada é que os textos são redigidos por jornalistas, ou seja, gente que deveria ter o domínio da língua. Ou, pelo menos, não cometer erros tão primários. É a "infância da arte".
Acabou sobrando para a jornalista que me enviou um release sobre déficit de atenção (TDAH). O tema é interessante, a notícia idem. Mas não há leitura que resista diante de [o psiquiatra fulano, traz], [segundo, fulano] e pérolas semelhantes.
Respondi ao release - educadamente, claro -, alertando para o problema. Espero que recebam como contribuição.
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domingo, 28 de junho de 2009
Twitter no Titanic, 11 de setembro...
Lucas Dantas*
Durante todo o dia 25/06 mensagens, piadas e links para notícias sobre a morte de Michael Jackson choviam no Twitter e pela primeira vez um único assunto dominou todos os trends do serviço. Não havia quem falasse de outro assunto. Lógico e compreensível. Mas criou-se agora uma expectativa de como será o próximo. Eu prefiro pensar como teria sido em outros acontecimentos históricos.
Titanic
@umcaraaí Transatlântico de luxo manda sinal de SOS no Atlântico.
@outrocaraaí Parece que o Titanic bateu num iceberg e está afundando.
@rose_dawson Estamos no Titanic e não tem barcos para todo mundo. A banda ainda toca e eu não sei nadar. #comofaz?
@jack Consegui um ticket pra esse barco num jogo de cartas, mu juntei com uma rica e agora to afundando no mar gelado. VDM
@Cal_Hockley (in reply to) @jack HAHAHAHAHAHAHAHAHA
@touristguy Consegui escapar do Titanic, mas uma galera vai morrer. :-( http://is.gd/1ePe2
O Titanic seria como o Air France: chocante no início, mas depois cairia no esquecimento. O que não aconteceria no dia 06 de agosto de 1945.
@aquelecarala Explodiu uma bomba sinistra em Tóquio. Os americanos mandaram uma bomba randômica.
@outrocara Não foi em Tóquio, mas em Hiroshima. http://is.gd/1ePR0 Clarão absurdo no céu.
@h_chavez Bomba atômica no Japão. Americanos apelaram!!!
@manifestanteshippies Japão não se rende. Bora Japão. #foraUSA
@mr_manson Agora, o que tem de hot roll em Hiroshima não é sacanagem. Churrasco de sushi.
O Twitter sempre começa com notícias sérias, mas com o tempo as piadas (muitas de péssimo gosto) vão chegando e dominam o espaço. Vira um tal retwittar as mensagens que você nunca sabe onde vão parar suas mensagens.
Alguns acontecimentos talvez fossem capazes de acabar com o tráfego online, se existisse o twitter e afins na época. A morte de John Lennon, por exemplo, eu aposto que travaria até site pornô. E quem não estivesse em NY poderia ver todas aquelas pessoas em frente ao Dakota cantando All We Need Is Love através de streamings live e fotos que pipocariam na rede a cada segundo. E, claro, as famigeradas mensagens.
@denovoocara Morre Lennon.
@ooutrocara Mataram o Lennon!!! E o &%$# do Ringo continua vivo. #megafail
@piadista_sem_graca All We Need Is Love, and some bulletprof jacket
Fantático que sou pelo futebol, fico imaginando o gol mil do Pelé sendo twittado mundo afora.
No Rio - @carioca_no_maraca Penalti pro Santos! Agora sai o 1000 ou um zagueiro do Bahia vai atrapalhar de novo?
Em São Paulo - @bixiga Gooooool mil! Mas por que raios o negão escolheu fazer no Rio???
Em Buenos Aires - @torcedordoBoca Pelé? El macaquito? Me gusta más Di Stéfano.
Nos EUA - @EUA What is soccer? Where is Brazil?
E o 11 setembro….
World Trade Center pegando fogo.
Você viu? Acabou de entrar um avião no WTC!!!
A internet tá baleiando muito. Não consigo entrar em nenhum site!!
@muslim CHÃO! CHÃO! CHÃO! CHÃO-CHÃO-CHÃO CHÃO! CHÃO!
* Trechos editados do blog Dois Rios e Uma Ilha de Concreto (http://lucasdantas.com)
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terça-feira, 12 de maio de 2009
Rua Santa Fé 725
Rosane de Souza*
Há anos que nos dizem que estamos condenados a viver essa vida -- desgraçadamente meus filhos acreditaram e eu mesma já não estou segura de que há outra. Parte de minha geração com certeza anda vivendo os dias como se fosse um exercício de esquecer até a bela observação de um anônimo combatente republicano espanhol: "Nós perdemos todas as batalhas, mas éramos nós que tínhamos as melhores canções".
Muitos estão em dúvida se são melhores as nossas canções. Sentem até certo desconforto em escutá-las.
Cansei e até introjetei, acho, a idéia de que tudo em que acreditei é, no mínimo, risível. O que a esquerda (falo da esquerda e nela, por favor, excluam o PT, em nome das melhores canções) vem pensando e escrevendo colabora para isso, acredito, porque não há, em geral, um pensamento mais profundo -- talvez a palavra mais apropriada seja mais honestamente humanista e meditativo sobre a tragédia do exílio que se incrustou em parte de minha geração. Há exceções e andam escrevendo no “Le Monde Diplomatique Brasil” -- o número de maio é importante para todo aquele que foi condenado ao estranho exílio de perder o sonho humanista de construção de outra vida.
Toda essa desesperança está exposta no filme com o simples nome de Rua Santa Fé. Peguei numa locadora de Vila Isabel e, como vocês sabem (porque já cansei meus amigos de tanto falar), nelas o gosto do freguês tende ao best seller, a oscares, ao terror e a violência. Desconfio que o Ricardo, o dono, comprou errado, porque, ao perguntar quando ia chegar "A Culpa é do Fidel", a funcionária me disse: "Ih, não sei, não. Não sei nem se ele vai comprar", com uma forma de falar assim de gente que não sabe quem é Fidel, muito menos do que o filme se trata, mas de quem tem a mais absoluta certeza de que só eu me interessaria em assistir.
Pois é, se não vai comprar Fidel, Ricardo deveria muito menos ter comprado Rua Santa Fé. Daqui a um mês vai se revelar arrependido, porque eu mesma não vou pegar outra vez, pelo simples fato de que o copiei. Rua Santa Fé de quem a contracapa diz apenas: Santiago, Chile 2007. Por meio de rostos e vozes de sua família, vizinhos e companheiros no exército, Carmen Castillo a viúva de Miguel Enriquez, secretário geral do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR) segue um destino que a guia do MIR ao exílio. Dos dias de glória de Allende aos longos e sombrios anos de ditadura de Augusto Pinochet. Acompanhada por aqueles que resistiram e ainda resistem. Entre o caos do passado e as irremediáveis emoções do presente, emerge a história de uma geração revolucionária e de um país quebrado.
Apenas é só um modo de expressar a sensação de desnorteamento com o filme de Carmen, que o narra com voz cansada, voz de uma velha que ainda não é, aliás, ela ainda é muito bela -- e sem nenhum retoque ou filtro -- tom também de alguém que tomou uma injeção de morfina e apenas assiste as pessoas contarem parte da vida que ela viveu.
De quem, para seguir fazendo-o, tem que lembrar apenas do "belo rosto de Miguel no dia em que morreu". Mas, ao caminhar e nas perguntas que faz, com todo o cuidado para não cair no doutrinarismo e na nostalgia , revela seu assombro, sua imensa dor do exílio que não se resume à França -- até porque foi bem-sucedida em esquecer o Chile. Não lembrava nem das Cordilheiras. Para alguns, como Carmen Castillo, o exílio foi imposto para sempre: jamais vai reaver muito mais do que Miguel Enriquez. Estão perdidos os sentimentos, as sensações, o compartilhamento dos dias de Allende. Até a lembrança do que ela qualifica de "sortilégio" (aqueles dias) foi proibida.
É com essa frágil certeza que ela passeia por Santiago, revela seu desconcerto com esse Chile pós-ditadura, neoliberal, Bachelet. "Essa mulher que regressa ao País como se chama?", se pergunta quando 13 anos depois volta ao Chile, por permissão de Pinochet para ver o pai, que estava doente". "Santiago... nada se encontra em seu lugar. Só há um vazio povoado de ausentes. As sombras me envolvem e o medo também, em pleno dia. Só vejo militares, os traidores e a resignação da gente que passa". Ou também: "Voltei ao Chile várias vezes depois da volta de democracia. Nunca nada enfraqueceu meu desejo de viver na França. A arrogância dos vencedores, a impunidade dos criminosos, a amnésia geral me sufoca... Conseguiram os militares apagar tudo?"
Rua Santa Fé 725 é o endereço em que viveu com Miguel até a ditadura de Pinochet os descobrir. É a partir desse endereço que ela constrói mais do que um mergulho na memória dos derrotados, dos ex-militantes do MIR, que se autodissolveu às vésperas do fim da ditadura.
É uma dolorosa, mas ainda assim ( e ainda hoje), uma "melhor canção". Tem imagens nunca vistas dos dias do golpe, pelo menos nunca vistas por nós -- as esconderam até o tempo em que ninguém mais as queria ver. Parece uma grande tragédia, um grande incêndio, com todo mundo correndo e alguém que diz, num depoimento, das lembranças, quase sensações, do barulho das latas de lixo. São imagens bem próximas, que nos dá idéia da resistência desordenada, desorganizada e nos leva a sentir a mesma a surpresa, o desconcerto e a descrença das primeiras horas do golpe de que algo como Pinochet fosse possível. Nesses momentos, Pinochet parecia uma nauseante (e pouco duradoura) rasteira da história. É contado também como se fosse um segredo para alguns, principalmente, quando uma orquestra de crianças toca o hino do MIR ou quando não ganha prêmio algum ou quando conta a história do governo de Allende, mas a partir de uma organização, o MIR, que adotou um "apoio crítico" ao governo de Salvador.
Todos os dias nos comprovam que não há mais espaço para as revoluções. Todos os dias nos dizem que éramos uma ficção. Talvez, sim. Há um depoimento que fala sobre Bautista, um militante, médico que dizia que, dentre todas as renúncias que teve que fazer, a maior era de não exercido a sua profissão. Quem fala lembra que ele gostava de rock e de dançar. "Dançava como nenhum outro mirista. Mas em toda a sua vida não deve ter dançado nem dez vezes".
No Brasil, talvez, uma parte da esquerda até fosse uma ficção, porque foi impedida de viver os dias de construção de um sonho e mais imaginou do que viveu -- como até hoje -- no meio do povo. Não sabe suas dores, não compartilha seus sonhos e acha que é uma imensa legião de famintos, analfabetos, burros, pobrezitos e merecedores de esmola. Simplesmente o desconhece. No Chile de Allende, eles mais do que compartilharam, construíram juntos por um período dolorosamente curto um diabo de um outro país que, de vez em quando, volta a me assombrar.
E se Carmen resiste e não volta nunca mais a viver lá, eu resisto até a visitá-lo, com medo dos ausentes que povoaram meu sonhos. O filme é longo. Eu cometi um erro terrível ao começar a assisti-lo depois da meia noite de sábado. Ele não acabava nunca, nem a minha imensa tristeza de não ter vivido aquele sortilégio, mas conhecê-lo o suficiente para lamentar a sua perda. "Um dos problemas de existir é que eles não existem mais", diz um personagem que até hoje estranha a capacidade de continuar vivendo sem aquelas pessoas excepcionais.
*Rosane é jornalista e volta e meia brinda os amigos com textos comoventes como Meu coração vagabundo e grená (julho de 2008) e Eu quero, além dos sapatos, uma vida que me caiba (dezembro de 2007). 
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quinta-feira, 23 de abril de 2009
Feriado prá quem, cara pálida?
Hoje é feriado aqui no Rio. Comemoramos o Dia de São Jorge. Legal, o santo merece.
Mas tem dois problemas: o primeiro é que, como anteontem também foi feriado, a semana ficou muito estranha prá quem trabalhou na 2ª e na 4ª. Mas foi uma maravilha para os que trabalham em algumas escolas, universidades e empresas que esticaram e fizeram um imenso feriadão.
O segundo problema é que no resto do país não é feriado. O que significa dia que quem é prestador de serviço e tem clientes em outros estados não pode dar-se ao luxo de não trabalhar.
O fato do prédio onde funciona o escritório estar fechado não é problema. Afinal, prá que serve a tal da Internet?
O máximo que consegui foi fazer uma caminhada mais longa na Lagoa, nessa linda manhã de outono.
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segunda-feira, 20 de abril de 2009
Ataque de pitbull
Fuçando no blog do meu filho paulioca, levei um enorme susto. O post de ontem conta a sua luta corporal com um pitbull para defender seu labrador, que foi atacado. Não, eu não me enganei. Ele se atracou com a fera.
Foi uma briga feia e ele podia ter se estrepado. Felizmente, acabou tudo bem, com o saldo dos dois joelhos ralados e um trauma daqueles. Ele ficou tão estressado que, agora, leva uma faca consigo por via das dúvidas.
Sugiro ler o relato, pois nunca se sabe quando vamos topar com um pitbull ensandecido pela frente. (http://lucasdantas.com)
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Tanto faz como tanto fez
Tomar muitos medicamentos é uma rotina na vida da maioria dos idosos (acima dos 80). É remédio para a pressão, para auxiliar a digestão, para controlar a osteoporose, ansiolíticos... Sem falar naquelas pessoas, como é o caso de minha mãe, que têm doenças brabas e que, além destes, também tomam outros, com muitas reações adversas (o nome atual para efeito colateral).
Depois de ler o release da Agência Notisa, que acabei de receber, fico me perguntando se não é o caso de eliminar alguns deles. Bem, a agência de jornalismo científico (http://www.notisa.com.br) divulgou hoje que um estudo recente mostra que alguns remédios utilizados regularmente por pessoas de mais de 80 anos com problemas cardíacos não parecem ter efeitos na sobrevida em longo prazo.
Reproduzo abaixo o texto, que julgo da maior importância principalmente para quem tem pais vivos e que são usuários de algum desses medicamentos.
Medicações freqüentemente utilizadas em octagenários parecem não ter efeitos na sobrevida em longo prazo
Estudo norte-americano publicado no American Journal of Cardiology concluiu que o uso de certas medicações como diuréticos e estatinas, parecem não aumentar a sobrevida em longo prazo de pessoas com mais de 80 anos de idade apresentando insuficiência cardíaca (HF) e fração de ejeção (EF) preservada. Segundo o artigo, a pesquisa analisou os efeitos de medicações cardíacas comumente utilizadas na sobrevida em longo prazo de pacientes octogenários e EF ventricular esquerda preservada.
“Insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada tem uma alta prevalência na população geriátrica, e esta coorte talvez apresente risco de complicações causadas pelo uso múltiplo de medicamentos”, afirmam o autor do estudo Faramarz Tehrani e colegas, todos ligados ao Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles (Califórnia, EUA), no texto publicado.
Ainda de acordo com o artigo, do total de 142 pacientes participantes avaliados durante 5 anos, 98 (69%) morreram ao longo do período, não tendo sido identificadas diferenças significativas nos parâmetros do baseline (início do estudo) em pacientes que morreram comparados aos daqueles que sobreviveram no período.
“Nenhum dos medicamentos pareceu causar uma diferença significativa na sobrevida em longo-prazo, incluindo beta-bloqueadores, inibidores da enzima conversora da angiotensina / bloqueadores dos receptores da angiotensina II, bloqueadores dos canais de cálcio, diuréticos e estatinas”, destacam.
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quinta-feira, 16 de abril de 2009
M A S T

Se cada doido tem sua mania, a minha atual são as árvores das ruas desta querida e maltratada cidade. Não sei quando, mas um dia comecei a reparar que a maioria das árvores não tem um espaço mínimo de terra em volta do tronco. Há casos, criminosos, de árvores totalmente cimentadas, sem um centímetro sequer de terra.
Como cimento e asfalto não absorvem a água da chuva, as árvores enfraquecem e são um prato cheio para fungos, cupins e outras pragas. Na melhor das hipóteses, não crescem; ou, se crescem, suas raízes arrebentam as calçadas. Na pior, não conseguem resistir a uma ventania mais forte e desabam sobre carros, casas, derrubam a fiação...
Minha reação tem sido caso a caso. Já me peguei removendo, com as mãos, pedaços de cimento quebrados por raízes teimosas. Quando vejo uma obra ou conserto em calçada, eu não resisto. Chego perto e confiro se não estão arrebentando as raízes das árvores e, também, se estão deixando espaço suficiente de terra. Bato um papo com os responsáveis e, geralmente, o resultado é positivo.
Já pensei até em criar o Movimento das Árvores Sem Terra (MAST). As ações seriam bem simples: uma vez por mês, os participantes do movimento alargariam com golpes de martelo ou marrão os buracos das árvores de uma determinada rua. Ah, claro, a imprensa seria convocada para registrar o ato. E, se tiver celebridade, melhor ainda. Dá até TV.
Na foto acima, uma árvore que poderia dar início ao movimento. A pobrezinha fica na rua Capitão Salomão (Humaitá), bem em frente à entrada da garagem rotativa do Centro Médico Botafogo.
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sexta-feira, 10 de abril de 2009
Páscoa sem culpa
Uma amiga que mora na França mandou um e-mail aconselhando a comer muito chocolate na Páscoa. O motivo, segundo ela, é que a sensação de prazer provocada pelo chocolate é inigualável, segundo revela uma pesquisa que acaba de ser divulgada por lá. A descoberta foi feita através de testes com ratos viciados em cocaína, que, na busca insaciável do prazer, preferiram o chocolate à droga.
De acordo com os pesquisadores, a preferência se baseia no sistema de recompensa e na liberação da dopamina, um neurotransmissor ligado ao prazer. Exames de ressonância magnética mostraram um aumento na liberação da dopamina até mesmo pela simples visão do chocolate. Ou seja, a pessoa é atraída de tal forma pelo chocolate que não pode deixar de comê-lo.
Segundo essa amiga, os doutores, que chegaram a afirmar que o chocolate pode ser até melhor que o sexo, recomendam o consumo regular da delícia, principalmente para pessoas depressivas, tristes e angustiadas.
Diante de tão fantástica descoberta, outra amiga, que também recebeu a mensagem, respondeu em tom gaiato:
“Eba! Tô liberada para uma carreirinha de chocolate...” 
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quarta-feira, 1 de abril de 2009
A nova rotina
Acho que minha rotina agora vai ser algo assim: ... tava me preparando para sair, quando o tiroteio começou.
Pois é, hoje de manhã, durante uns 5 minutos, ouvimos claramente aquele som inconfundível de tiros. Tava pronta para ir à acupuntura, que fica exatamente na Siqueira Campos, onde começa a Ladeira dos Tabajaras. Como o caminho passa exatamente pela rota de fuga dos bandidos (no Humaitá), pelo Túnel Velho e pela entrada da favela, cancelei a sessão.
Conferi no online que o tal tiroteio durou 15 minutos e que resultou em quatro traficantes mortos e um ferido. Esse último foi preso aqui perto, na São Clemente.
Até agora, dei sorte, pois o bangue-bangue ainda não me pegou na rua. Por isso, acho também que está na hora de ativar minha conta no Twiter. Pelo menos, acalmo os amigos (uma acabou de me ligar, pois também tinha lido a notícia no online) e o filhote paulioca.
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quarta-feira, 25 de março de 2009
A Rainha
Roberto de Castro Neves*
Na madrugada do dia 31 de agosto de 1997, cheguei em casa voltando de uma festa. Naquela agitação que um pilequinho proporciona, cadê o sono? Como, para mim, televisão é mais eficaz que injeção de Valium na veia, apelei para a droga. Passeando rapidamente pelos canais, o da CNN me chamou atenção: Paris, Pont de l’Alma, as câmeras mostravam o local onde acabara de ocorrer um grave acidente de carro. Acidente de carro? CNN interessada em cobri-lo para o mundo todo? Huum, aí tem coisa – pensei. E tinha. A coisa que estava dentro do veículo acidentado era nada mais, nada menos que Lady Di. Lady Di e seu namorado à época, Dodi Al-Fayed. Aí, se já estava com dificuldade de dormir, mais aceso, fiquei. Alguns minutos depois, veio a informação: Lady Di tinha morrido. Tiete que era de Diana, fiquei chocado. Peguei um copo, entornei uma dose cavalar de whisky. Em seguida, liguei para uns amigos (obviamente para aqueles que tinham estado na festa, e que, portanto, certamente ainda estariam acordados). Até hoje me são agradecidos por aquela ligação.
Isto posto, sempre acreditei ter sabido da morte de Lady Di antes da rainha Elisabeth II. Por que? Porque (calculei) o processo que permite interromper o sono da soberana numa madrugada deveria ser complicado. Complicado e, por consequência, demorado. Que motivos seriam considerados razoáveis para tanto? Guerra nuclear? Invasão do território inglês pelos franceses? Príncipe Charles saiu do armário? A notícia de outra travessura da menina má bem que poderia esperar o sol nascer para ser dada. Por outro lado, quem teria autoridade para fazer esse julgamento? Quem empacotaria a notícia, ou seja, de que forma ela seria dada? Quem, por fim, bateria à porta de seu quarto e, caso a rainha não ouvisse as batidas, quem estaria autorizado a ir até o leito real para cutucar o ombro da soberana e sussurrar aos seus ouvidos: “Alteza... sujou”? Pelas minhas contas, o processo todo, descrito em detalhes no Manual de Operações em seu capítulo “Quando e como acordar a rainha às altas horas”, entre o momento que o telefone bateu no Castelo de Balmoral dando a notícia do acidente e o despertar de Elizabeth, levaria no barato um par de horas.
Nove anos depois daquela noite, entrou em cartaz “A Rainha” [The Queen] do diretor Stephen Frears cujo enredo especula sobre os desdobramentos da tragédia.
Na versão de Peter Morgan, autor do roteiro do filme, a soberana teria sido acordada e informada do acidente antes de ser anunciada a morte da princesa. Assim Elisabeth teria acompanhado pela televisão, junto do marido, da rainha-mãe, comigo e com a torcida do Flamengo, os últimos momentos da ex-nora. Sei não. Pelas razões que expus acima, continuo achando que Sua Majestade só foi acordada depois da notícia da morte da ex-princesa. Quando forem abertos os arquivos da rainha, vocês verão que estou com a razão. Dou a minha cara à tapa se estiver errado.
Mas isso é absolutamente irrelevante. O importante é discutir o que o filme nos ensina sobre administração de crises empresariais ainda que Peter Morgan possa ter romanceado sobre o que aconteceu nos bastidores naquela noite e nos dias subseqüentes ao acidente.
Três dados considerados no filme são tidos como certos e, portanto, não derivam da imaginação do roteirista. Primeiro, com toda certeza, de há muito, a Família Real estava puta da vida com a ex-princesa. Porque se, para o povo, Lady Di popularizou a Família e, de certa forma, humanizou-a, na visão dessa família, o comportamento de Diana, enquanto princesa, vulgarizou a imagem da realeza. E depois do divórcio, quando Lady Di soltou a franga de vez, aí então é que a vaca dessa imagem foi pro brejo também de vez.
O segundo dado concreto é que houve uma constrangedora demora no posicionamento da rainha em relação à morte da ex-nora. Pode-se especular quanto à razão dessa demora. Tudo leva a crer que a soberana não queria de fato participar do evento. No filme, a rainha se escora em razões protocolares: a ex-nora não pertencia mais à família uma vez que já estava separada do príncipe Charles. E não se fala mais no assunto.
O terceiro dado é que a rainha acabou participando das exéquias. Desceu do pedestal e foi até a rua entrar em contato com o povo; permitiu que uma bandeira a meio pau em sinal de luto fosse hasteada no palácio; enfrentou as câmeras de televisão lendo um pronunciamento oficial, - chocho, na verdade, mas melhor que nada – no qual lamentou a morte da ex-nora; por fim, assistiu, cara emburrada, sapo atravessado na garganta, a cerimônia de encomenda do corpo. Enfim, houve uma reviravolta na postura da soberana. Sua Alteza ajoelhou no milho. O que teria motivado essa mudança, na especulação do roteirista, foi uma pesquisa de opinião, trazida ao conhecimento de Elizabeth pelo recém-empossado primeiro-ministro, Tony Blair. Por essa pesquisa, o silêncio da família real teria aumentado a rejeição popular ao sistema monárquico. Noutras palavras, coroa em perigo. Por acaso, Elizabeth II recentemente tinha lido sobre a vida de “Maria Antonieta”. Melhor por as barbas de molho.
O que aprendemos ou deduzimos dessa crise.
(1) Preconceitos e ressentimentos são sempre maus conselheiros na administração de crises. A Família Real estava na bronca com a ex-princesa. Com razão ou sem razão, o fato é que essa bronca impediu a Rainha de tomar de saída a decisão sensata sugerida pelo seu primeiro-ministro, ou seja, fazer uma declaração lamentando a morte de Diana a zero minuto de jogo. O fato de Diana não pertencer mais à Família não poderia ser um obstáculo. Ela era mãe do futuro rei da Inglaterra, by the way. Portanto, Alteza, às favas o protocolo! As pessoas tem preconceitos, mágoas, ressentimentos. As instituições, não os tem. Quem representa as instituições precisa ter isto em mente. Ouviu bem, Elizabeth? O conselho vale também para os empresários. Quando o bicho pega, não adianta perder tempo achando que os consumidores são os eternos insatisfeitos, que os empregados reclamam de barriga cheia, que as ONGs são um bando de maconheiros.
(2) O silêncio é uma das formas mais contundentes de comunicação. Na melhor das hipóteses, o silêncio pode significar respeito. Mas, na maioria das vezes, permite leituras mais desagradáveis: omissão, irresponsabilidade, inveja, desprezo, tô nem aí, arrogância, falta de sensibilidade, baixeza. Em suma, lenha na fogueira.
(3) Nas crises, a demora no posicionamento turbina o problema. A rainha ouviu os políticos, o maridão, a rainha-mãe, o filho, etc. Nas crises empresariais, acontece o mesmo. Antes de pronunciar-se, o CEO ouve deus e o mundo: advogados, relações-públicas, publicitários, a família, os amigos, a cartomante, etc. Ouvir todo mundo não está errado. Aliás, faz muito bem ouvir todo mundo. Aconselhar-se faz bem à saúde. Mas, nessas horas, o processo de consulta tem que voar. Quanto antes posicionar-se, menor o estrago. As vítimas, os lesados, a mídia, a Opinião Pública não podem esperar. Não é, portanto, momento para grandes reflexões filosóficas, do levantamento de dúvidas existenciais. Nem de esperar por ter todos os dados para decidir. Aconselhou-se, se os dados em mãos não são suficientes, complemente-os com a intuição, com bom senso, feeling. Afinal, se está no cargo deve tê-los de sobra. O fato da rainha ter voltado atrás evitou a catástrofe de imagem. Mas, nas crises, o “ antes tarde do que nunca” não é atenuante. Fica sempre na boca do povo o gosto amargo de fel.
*Escritor e consultor empresarial. Se quiser conhecer mais, visite o site www.imagemempresarial.com
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VERA DANTAS
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10:02
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