Sílvia Helena*
30 de agosto, almoço na Fiorentina com a galera do Jornal do Brasil de 30 anos atrás. Ao rever as pessoas, revivi com emoção um tempo passado, quando a gente, nós todos que estávamos ali, achávamos o jornalismo uma coisa muito legal de se fazer. Um meio honrado e honroso de se ganhar a vida. Olhando para trás, foi um privilégio ter participado daquele grupo, daquela redação - que hoje me parece tão extraordinária.
Por que? Não vejo mais no Brasil - talvez alguma exceção? - um espírito profissional como o que tínhamos:
- lealdade, que se chamava de "patota", "panela", e que se resumia a uma coisa que eu acho cada vez mais bonita e que simplificadamente se pode definir como "o amigo do meu amigo é meu amigo; o inimigo do meu amigo é meu inimigo";
- disposição para procurar uma boa história.;
- orgulho de um bom texto;
- compromisso com a defesa de idéias.
Isso, que não é pouco, parecia apenas normal.
Acabou. Não interessa procurar as razões: seria um exercício
* Sílvia Helena é jornalista e escritora.

