Vera Dantas
Convescote numa reunião de aniversário de um quase sessentão. Esparramados no sofá digerindo o ótimo almoço, amigos da mesma faixa de idade botam o papo em dia. Intelectuais, bem informados, falam de política, tecnologia, cultura, só papo alto nível. Mas, sem se que se perceba, o foco da conversa muda, como da água para o vinho. Eis que já estão falando sobre um tema que é cada vez mais presente nas conversas: as dores e achaques que teimam em aparecer ultimamente. A mais veemente, uma “jovem” de 50 anos, diz que já não sabe o que fazer com o ombro. As dores, que começaram devagar, foram aumentando. Fez de um tudo: massagem, acupuntura, fisioterapia, antiinflamatório. O que de real é que sua vida se tornou um inferno. Sente dor o tempo todo, não consegue movimentar direito o braço.
Um papo leva a outro e, na mesma hora, todos têm um palpite ou um problema para relatar: é a pressão, o colesterol, o triglicérides... Até que alguém se toca e avisa: “Ei, gente, que negócio caído é esse de ficar falando de doença? Parece um bando de velhos”. Risadaria geral. Mas funcionou. Todos trataram de mudar de assunto, pois ninguém queria ficar sendo o “velhinho” chato da história. Mas, se não fosse pela “censura”, o papo não teria fim, pois todos tinham um causo a contar, uma queixa – nem que fosse da maldita balança, que só faz andar pra direita.
Claro. Porque depois dos 50, um pouco antes ou depois, elas começam a aparecer. Um dia é na perna, outro dia no pescoço, outro dia nas cadeiras. Dores que vêm e vão. Assim, sem cerimônia. No início ninguém dá muita bola. Mas quando elas se instalam, é hora da preocupação. E da constatação que o corpo está dando mostras de que a idade passa.
Só que nem eu nem nenhum dos meus amigos e colegas de geração achávamos que isso aconteceria conosco. Salvo uns poucos “realistas demais”, pensávamos que seríamos sempre jovens, que não envelheceríamos.
Ainda somos, embora não "tão jovens" como antes. Mas, graças à fantástica evolução da ciência, que vem ampliando significativamente a expectativa de vida, não há nenhuma semelhança entre os cinqüentões, sessentões e até mesmo os setentões de hoje e os de algumas décadas atrás.
E contamos, além das novas técnicas e terapêuticas, com um recurso adicional valioso: a informação. Hoje, temos condição de saber o que fazer para evitarmos ou, quando não é mais possível, lidar com os problemas de saúde. E, principalmente, sem abrir mão da qualidade de vida.

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sábado, 15 de dezembro de 2007
Papo de jovem
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VERA DANTAS
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02:10
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Marcadores: envelhecimento, idade, qualidade de vida, saúde, vera dantas
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