Acho que minha rotina agora vai ser algo assim: ... tava me preparando para sair, quando o tiroteio começou.
Pois é, hoje de manhã, durante uns 5 minutos, ouvimos claramente aquele som inconfundível de tiros. Tava pronta para ir à acupuntura, que fica exatamente na Siqueira Campos, onde começa a Ladeira dos Tabajaras. Como o caminho passa exatamente pela rota de fuga dos bandidos (no Humaitá), pelo Túnel Velho e pela entrada da favela, cancelei a sessão.
Conferi no online que o tal tiroteio durou 15 minutos e que resultou em quatro traficantes mortos e um ferido. Esse último foi preso aqui perto, na São Clemente.
Até agora, dei sorte, pois o bangue-bangue ainda não me pegou na rua. Por isso, acho também que está na hora de ativar minha conta no Twiter. Pelo menos, acalmo os amigos (uma acabou de me ligar, pois também tinha lido a notícia no online) e o filhote paulioca.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
A nova rotina
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VERA DANTAS
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segunda-feira, 23 de março de 2009
Bangue-bangue real
Eu e meu marido chegávamos à esquina de minha rua, ontem no fim da manhã, quando ouvimos vários estampidos. Na dúvida se eram ou não tiros, e também como pareciam estar longe, não demos bola e continuamos o nosso percurso. Quando li o jornal, hoje, confirmei que o tal som que a gente ouviu eram realmente tiros, de fuzil, disparados durante um tiroteio entre polícia e traficantes na Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana. Mas um detalhe me assustou bastante: um dos tiros perfurou o telhado de uma casa, numa rua vizinha à nossa, no Humaitá, e por sorte, não atingiu a moradora, que estava colocando o neto para dormir. E nem nós, em nossa despreocupada caminhada.
Como se isso não fosse o bastante, hoje teve repeteco. Quando ia saindo para o escritório, novo som de tiroteio. Só que, desta vez, muito mais forte que o da véspera, uma mistura de tiros curtos e repetidos e explosões, além do barulho de helicópteros e sirenes.
De novo, a confusão chegou bem pertinho, como li no Globo online. Na fuga, os bandidos alcançaram o Humaitá. Dois foram presos exatamente em frente ao prédio onde morava o meu filho Lucas, antes de se trocar o “balneário” pelo “arraial” e se tornar paulioca.
Até agora, eu achava que a violência estava longe. O mais perto que ela chegara foi durante a “guerra” entre os traficantes dos morros Dona Marta e Tabajaras, quando podíamos ver, à noite as balas traçadoras riscando o céu. Eu até curtia descrever o “espetáculo” para os assustados amigos paulistas.
Hoje, a ficha caiu. Como uma bala de fuzil pode percorrer até cinco quilômetros, mesmo em trajetória de subida e descida, um tiro disparado num bairro pode atingir pessoas no bairro vizinho. Compreendi que estou no meio da linha de fogo. Que não dá mais para chegar na janela para conferir se o barulho parecido com tiro – mesmo longínquo - é tiro mesmo, pois corro o risco de ser atingida por ele. Durante o bangue-bangue, pensei apenas em identificar a área mais protegida do apartamento. E lá fiquei, até tudo se acalmar.
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VERA DANTAS
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18:16
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